SECRETARIA
DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA
HOSPITAL
GERAL PRADO VALADARES
12 de
JULHO de 2010
Alterada em 13/07/2010
PRIMEIRA
DOAÇÃO MÚLTIPLA DE ÓRGÃOS NO HGPV

A Comissão
Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para
Transplantes (CHIDOTT) do Hospital Geral Prado Valadares
em Jequié registrou a primeira doação de múltiplos
órgãos, a qual beneficiará pessoas que aguardam com
ansiedade na longa fila de espera por um transplante. O
trabalho para a retirada dos rins, coração, fígado e
córneas de um paciente de 26 anos, vítima de acidente de
trânsito, durou 2h30min.
O
fechamento do diagnóstico de Morte Encefálica foi
realizado por equipe médica especializada do HGPV.
De acordo
com o enfermeiro coordenador da CIHDOTT do HGPV, Wagner
Farias, a família demonstrou confiança na equipe do
hospital e, apesar da dor, decidiu doar os órgãos.
“Depois de
diagnosticada a morte cerebral do paciente, os
familiares foram comunicados e, prontamente, autorizaram
a doação”, conta a enfermeira Agnes Claudine, quem
frisou que as estatísticas de doações de órgãos não são
melhores devido à falta de informação e conscientização
de boa parte da população sobre o assunto.
Uma equipe
especializada da Central Estadual de Transplantes de
Órgãos, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde da
Bahia, se deslocou de Salvador em aeronave expressa para
fazer a retirada dos órgãos.
A CIHDOTT
do HGPV já fechou 6 diagnósticos de Morte Encefálica, 25
abordagens para doação de córneas, sendo 4 positivas, e
5 para múltiplos órgãos com uma positiva, o que nunca
havia ocorrido no HGPV e na cidade de Jequié.
O diretor
geral do HGPV, Gilmar Vasconcelos é um dos principais
incentivadores da CHIDOTT, quem tem acreditado no
trabalho da equipe. “Depois da implantação efetiva da
CIHDOTT e do Serviço de Neurocirurgia é que o HGPV
passou a diagnosticar Morte Encefálica, o que não era
realizado anteriormente, também por falta de equipamento
específico” disse Gilmar Vasconcelos.
“Os
resultados positivos estão aparecendo graças ao empenho
de todos e ao trabalho sério e ético de uma comissão
intra-hospitalar atuante”, diz Vasconcelos. O diretor
geral diz também que o sucesso desse trabalho pode ser
mais expressivo com o apoio da imprensa jequieense,
divulgando campanhas de sensibilização e as atividades
realizadas pelo hospital nesta temática.
"Os
familiares do doador ainda bastante emocionados pela
tragédia que se abateu sobre a sua família, um jovem de
26 anos, demonstrando um gesto de amor, tomaram a
decisão de autorizar a doação pela confiança depositada
na equipe e no Hospital", refere a psicóloga da CIHDOTT,
Fabiana Bitu, a qual esteve do lado da família dando
apoio e conforto.
"Estou
triste por perder meu irmão Flavio e alegre por ter
ganhado vários irmãos que necessitavam de um órgão dele
para sobreviver. Estou a disposição a qualquer momento
para incentivar outras família que possa ter a mesma
atitude que eu e minha família tivemos", referiu
o irmão do
doador, Marivaldo Justiniano dos Santos.
“É
importante cada cidadão pensar no assunto, tomar uma
decisão a respeito da doação de órgãos e expressar para
sua família, a qual será responsável pela autorização ou
não”, orienta o coordenador da CIHDOTT do HGPV, Wagner
Farias.
Morte
Encefálica
Agravada
pela dor da perda de um ente querido, a falta de
informação sobre a morte encefálica foi, durante muito
tempo, uma barreira para a doação de órgãos no Brasil.
Os mitos sobre essa fatalidade, porém, estão chegando ao
fim. É o que afirma Ben-Hur Ferraz Neto, presidente da
Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
"Pessoas
deixavam de doar por pensarem que a morte encefálica
poderia ser reversível. Mas ela é uma morte como outra
qualquer. Nos últimos anos, as famílias têm sido bem
receptivas à doação", disse o presidente.
A morte encefálica é caracterizada pela
ausência de reflexos, fluxo sanguíneo e atividades
elétricas e metabólicas do tronco cerebral. Ela pode
gerar desconfianças por parte de alguns familiares pelo
fato do corpo continuar "respirando" e com o coração
batendo.
O médico Walter Pereira, conselheiro da
ABTO, conta que, nesses casos, alguns reflexos elétricos
e nervosos mantêm o coração batendo mesmo após a morte.
"Isso pode durar poucas horas, a depender da pessoa. A
respiração é mantida por aparelhos, exatamente para que
os órgãos daquele doador em potencial sejam mantidos em
condições para o transplante", explica.
Fotos membros
das equipes da CIHDOTT e Central de Transplantes
atuando:


