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PROTOCOLO DO ACOLHIMENTO COM AVALIAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DE RISCO NA PORTA DE ENTRADA DA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE NO HOSPITAL PRADO VALADARES

 

Equipe do Acolhimento

Coordenadora Humaniza SUS HGPV – Enfermeira Claudia Mª. Tetê da Silva

Enfermeiros:

Eliene Galvão

Ellen Maynart Cunha Souza

Liliana Galdino Batista

Meirinha Alves Domingos

Nadja Silva Santos Limeira

Patrícia Damião Calheira

Silvana Sampaio

Auxiliares de Enfermagem:

Leia Galvão Barreto

Luzânia Cortes dos Santos

Rosângela do Rosário

Jocélia

Luciana

Isnaia

Marla

 

 

POTENCIAIS UTILIZADORES

Enfermeiros e equipe de enfermagem, médicos, acadêmicos de enfermagem,

assistentes sociais, psicólogos, farmacêuticos, nutricionistas, fisioterapeutas, comunidade e Conselhos Municipais de Saúde, Ministério Público, Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), equipes de segurança das instituições de saúde, funcionários administrativos e administradores hospitalares.

 

PROPOSTA DE VALIDAÇÃO

Ministério da Saúde, QualiSUS, Humaniza SUS, Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Estadual de Saúde.

 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Cartilha da PNH Política Nacional de Humanização / MS Acolhimento com Avaliação e Classificação de Risco

Diretrizes de Classificação de Risco das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) de Belo Horizonte

 

POPULAÇÃO ALVO E GRUPO DE RISCO

Cidadãos que se encontram em agravos de urgência ou emergência e procuram porta de entrada do HGPV SUS.

 

CONCEITOS

O Conselho Federal de Medicina, na Resolução 1451/95 define URGÊNCIA como “ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata”; EMERGÊNCIA como “constatação médica de agravo à saúde que implique em risco iminente de vida, ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, o tratamento médico imediato”.

 

INTRODUÇÃO

Historicamente existem distorções conceituais e na prática de atendimento no Pronto-Socorro do HGPV, visto que muitos usuários procuram por atendimento sem estarem com necessidades urgentes e nem emergentes, isto tem feito crescer demasiadamente a demanda, conseqüentemente o tempo de espera aumenta, prejudicando os indivíduos que necessitam de um atendimento imediato. No Sistema Local de Saúde não está bem definido o fluxo dos usuários do SUS que necessitam de consultas Especializadas e/ou ambulatoriais, o fato do HGPV ser o único Hospital de referência regional para aproximadamente 30 municípios, sua estrutura de Urgência/Emergência Pronto Socorro (PS) não dispõe de estrutura física, recursos humanos nem de equipamentos suficientes para atendimento de tal demanda com boa resolubilidade. Desta forma busca-se organizar e reorientar a assistência com a implantação do acolhimento com avaliação e classificação de risco sem exclusão. Para isto se faz necessárias equipes capacitadas para identificar necessidades e definir prioridades de cada paciente. Esta priorização ou classificação é feita a partir da utilização de protocolo específico do Acolhimento do HGPV. É importante informar todos os serviços de saúde da região acerca da utilização dessa ferramenta pelo HGPV no sentido de racionalizar gastos e fazer valer a referência e contra-referência, buscando assim fortalecer e consolidar a rede regional de assistência à saúde, co-responsabilizando usuários, trabalhadores e gestores. Assim estaremos HUMANIZANDO o SUS.

                                                         

OBJETIVO GERAL

Melhorar o atendimento na Porta de Entrada de Urgência e Emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) do HGPV.

 

OBJETIVOS OPERACIONAIS

1-Construir instrumento baseado em sinais de alerta ou forma usual de apresentação de doenças ou agravos para possibilitar classificação por gravidade ou grau de sofrimento, identificando prontamente urgências e emergências - condições de risco de perder a vida.

2-Não constituir-se em instrumento de diagnóstico.

3-Determinar prioridade para atendimento médico, hierarquizando-o conforme a gravidade: quem deve ser atendido antes e quem pode aguardar atendimento com segurança. Considerar-se-á a expectativa do paciente e seus familiares e o tempo em que intervenção médica possibilitará melhor resultado. Tempo de espera ideal nem sempre pode ser conseguido, mas será estudado para ser alcançado. Reavaliações estão previstas e poderão alterar a classificação.

4-Organizar processo de trabalho e espaço físico do Pronto Socorro, diminuir ocorrência de superlotação, informar os pacientes e familiares sobre expectativa de atendimento e tempo de espera.

5-Esclarecer à comunidade a forma de atendimento nas urgências e emergências.

6-Constituir guia de treinamento das equipes na implantação da Classificação de Risco na porta de entrada de urgência e emergência.

7-Constituir documento de referência do Ministério Público para controle de atendimento dos casos de urgência e emergência.

CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO

Deverá ser considerada a apresentação usual da doença, sinais de alerta, situação / queixa, intuição e experiência: paciente se apresenta doente? Intuição, entretanto, não será usada para diminuir prioridade, só para aumentar. Outros dados: sinais vitais, saturação de O2, escala de dor e escala de Glasgow (ECG), glicemia, etc.

 

RESULTADOS ESPERADOS

Diminuição do risco de mortes evitáveis, extinção da triagem por porteiro ou funcionário não qualificado, priorização de acordo com critérios clínicos e não por ordem de chegada, obrigatoriedade de encaminhamento responsável, com garantia de acesso à rede de atenção, aumento da eficácia do atendimento, redução do tempo de espera, detecção de casos que provavelmente se agravarão se o atendimento for postergado, diminuição da ansiedade e aumento da satisfação dos profissionais e usuários, com melhoria das relações interpessoais e padronização de dados para estudo e planejamento de ações. Educação em saúde para os usuários sobre como otimizar os serviços de saúde do SUS.

 

RESPONSABILIDADES DA EQUIPE DE CLASSIFICAÇÃO

O Processo de Acolhimento e Classificação de Risco será executado por equipe formada de enfermeiro, técnico de enfermagem, auxiliar administrativo e médico.

Horário: funcionamento 24 horas, na sala do acolhimento sempre ficará um profissional de enfermagem. São consideradas habilidades importantes deste a capacidade de comunicação, paciência, trato, compreensão, discrição, habilidade organizacional, agilidade, julgamento crítico, ética e solidariedade. Ainda, boa interação com os profissionais da saúde, pacientes, familiares, polícia, SAMU e COBOM. O cidadão que chegar ao PS será atendido prontamente pela Equipe de Acolhimento. A identificação da gravidade será feita por marca colorida, no verso da ficha de atendimento. As emergências irão para sala de sutura e reanimação ou serão priorizadas. Pessoas em situação de urgência serão conduzidas à atendimento médico imediato. As que necessitam de especialidades, (odontologia, ginecologia/obstetrícia, otorrinolaringologia), serão encaminhados aos respectivos setores e/ou unidades especializadas, ainda os que forem classificados como atendimento ambulatorial deverão ser encaminhados às unidades de referência (UBS, PSF,DST).

A Equipe de Acolhimento receberá o(a) paciente, fará avaliação breve da situação, e classificará em prioridades, usando protocolo padronizado, registrará a avaliação e encaminhará o(a) paciente ao local de atendimento. Eventuais atrasos serão comunicados. Reavaliações estão previstas, já que a classificação é dinâmica.

 

 

AVALIAÇÃO DO PACIENTE

Considerar queixa, início, evolução e duração, aparência física, resposta emocional, escala de dor e escala de coma de Glasgow (ECG), medicação atual e alergias. Registrar dados vitais. Classificar prioridade. Na ficha de atendimento deverá conter o nome do(a) paciente, idade, data, horário, situação – queixa, breve história, observação objetiva, dados vitais, prioridade de atendimento, história de alergias, uso de medicações, medidas iniciais adotadas no caso, reavaliações, nome do(a) enfermeiro(a), assinatura.

 

PRIORIDADE VERMELHO

Situação/Queixa

ü  Politraumatizado grave – Lesão grave de um ou mais órgãos e sistemas; ECG < 12.

ü  Queimaduras com mais de 25% de área de superfície corporal queimada ou com problemas respiratórios.

ü  Trauma Cranioencefálico grave – ECG <12.

ü  Estado mental alterado ou em coma ECG <12; história de uso de drogas.

ü  Comprometimentos da coluna vertebral.

ü  Desconforto respiratório grave.

ü  Dor no peito associada à falta de ar e cianose (dor em aperto, facada, agulhada com irradiação para um ou ambos os membros superiores, ombro, região cervical e mandíbula, de início súbito, de forte intensidade acompanhada de sudorese, náuseas e vômitos ou queimação epigástrica, acompanhada de perda de consciência, com história anterior de IAM, angina, embolia pulmonar, aneurisma ou diabetes; qualquer dor torácica com duração superior a 30 minutos, sem melhora com repouso).

ü  Perfurações no peito, abdome e cabeça.

ü  Crises convulsivas (inclusive pós-crise).

ü  Intoxicações exógenas ou tentativas de suicídio com Glasgow abaixo de 12.

ü  Anafilaxia ou reações alérgicas associadas à insuficiência respiratória.

ü  Tentativas de suicídio.

ü  Complicações de diabetes (hipo ou hiperglicemia).

ü  Parada cardiorrespiratória.

ü  Alterações de sinais vitais em paciente sintomático:

Ø    Pulso > 140 ou < 45

Ø    PA diastólica < 130 mmHg

Ø    PA sistólica < 80 mmHg

Ø    FR >34 ou <10

Ø    Hemorragias não controláveis.

Ø     Infecções graves – febre, exantema petequial ou púrpura, alteração do nível de consciência.

Há muitas condições e sinais perigosos de alerta, chamadas Bandeiras Vermelhas, que deverão ser levados em consideração, pois podem representar condições em que o paciente poderá piorar repentinamente:

ü  Acidentes com veículos motorizados acima de 35 Km/h.

ü  Forças de desaceleração tais como quedas ou em explosões.

ü  Perda de consciência, mesmo que momentânea, após acidente.

ü  Negação violenta das óbvias injúrias graves com pensamentos de fugas e alterações de discurso e, ocasionalmente, com respostas inapropriadas.

ü  Fraturas da 1. ª e 2. ª costela.

ü  Fraturas 9. ª, 10.ª, 11.a costela ou mais de três costelas.

ü  Possível aspiração.

ü  Possível contusão pulmonar.

ü  Óbitos no local da ocorrência.

 

PRIORIDADE AMARELO

Pacientes que necessitam de atendimento médico e de enfermagem o mais rápido possível, porém não correm riscos imediatos de vida. Deverão ser encaminhados diretamente à sala de consulta de enfermagem para classificação de risco.

URGÊNCIA

Situação/Queixa:

ü  Politraumatizado com Glasgow entre 13 e 15; sem alterações de sinais vitais.

ü  Cefaléia intensa de início súbito ou rapidamente progressiva, acompanhada de sinais ou sintomas neurológicos, paraestesias, alterações do campo visual, dislalia, afasia.

ü  Trauma cranioencefálico leve (ECG entre 13 e 15).

ü  Diminuição do nível de consciência.

ü  Alteração aguda de comportamento – agitação, letargia ou confusão mental.

ü  História de Convulsão /pós-ictal–convulsão nas últimas 24 horas.

ü  Dor torácica intensa.

ü  Antecedentes com problemas respiratórios, cardiovasculares e metabólicos (diabetes).

ü  Crise asmática.

ü  Diabético apresentando sudorese, alteração do estado mental, visão turva, febre, vômitos, taquipnéia, taquicardia.

ü  Desmaios.

ü  Estados de pânico, overdose.

ü   Alterações de sinais vitais em paciente sintomático:

o    FC < 50 ou > 140

o    PA sistólica < 90 ou > 240

o    PA diastólica > 130

o    T < 35 ou. 40

ü  História recente de melena ou hematêmese ou enterorragia com PA sistólica, 100 ou FC > 120.

ü  Epistaxe com alteração de sinais vitais.

ü  Dor abdominal intensa com náuseas e vômitos, sudorese, com alteração de sinais vitais (taquicardia ou bradicardia, hipertensão ou hipotensão, febre).

ü  Sangramento vaginal com dor abdominal e alteração de sinais vitais; gravidez confirmada ou suspeita.

ü  Náuseas/Vômitos e diarréia persistente com sinais de desidratação grave – letargia, mucosas ressecadas, turgor pastoso, alteração de sinais vitais.

ü  Desmaios.

ü  Febre alta ( 39/40º C).

ü  Fraturas anguladas e luxações com comprometimento neurovascular ou dor intensa.

ü  Intoxicação exógena sem alteração de sinais vitais, Glasgow de 15.

ü  Vítimas de abuso sexual.

ü  Imunodeprimidos com febre.

 

 

PRIORIDADE VERDE

Pacientes em condições agudas (urgência relativa) ou não agudas atendidos com prioridade sobre consultas simples – espera até 30 minutos para atendimento médico e/ou encaminhamento para especialidades. UBS de sua referência, após contato telefônico prévio ou por documento escrito (a pactuar), com garantia de atendimento.

ü  Idade superior a 60 anos.

ü  Gestantes com complicações da gravidez.

ü  Pacientes escoltados.

ü  Pacientes doadores de sangue.

ü  Deficientes físicos.

ü  Retornos com período inferior a 24 horas devido a não melhora do quadro.

ü  Impossibilidade de deambulação.

ü  Asma fora de crise.

ü  Enxaqueca – pacientes com diagnóstico anterior de enxaqueca.

ü  Dor de ouvido moderada à grave.

ü  Dor abdominal sem alteração de sinais vitais.

ü  Sangramento vaginal sem dor abdominal ou com dor abdominal leve.

ü  Vômitos e diarréia sem sinais de desidratação.

ü  História de convulsão sem alteração de consciência.

ü  Lombalgia intensa.

ü  Abcessos.

ü  Distúrbios neurovegetativos.

ü  Intercorrências ortopédicas

 

PRIORIDADE AZUL

Demais condições não enquadradas nas situações/queixas acima.

ü  Queixas crônicas sem alterações agudas.

ü  Procedimentos como: curativos, trocas ou requisições de receitas médicas, avaliação de resultados de exames, solicitações de atestados médicos Pacientes classificados como ¨azuis¨ serão orientados a procurar o Centro de Saúde de sua referência, com encaminhamento por escrito ou contato telefônico prévio ( a pactuar), com garantia de atendimento.

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